D’Yer M’ker e Bron-Yr-Aur
Houses of the Holy. Quinto disco do Led. Lançado em 1973. Devo ter escutado no ano seguinte. Pois bem, só agora, 35 anos depois, eu descubro que o título do “proto-reggae” D’Yer M’ker, cuja pronúncia sermpre intrigou tudo o que é fã, é apenas uma brincadeira com a pronúncia inglesa da palavra “Jamaica”.
Meu Deus! Por que não pensei nisso antes? Eu que me considerava um especialista! Foi um senhor tapa na testa.
Uma coisa levou a outra e pesquisando encontrei o seguinte artigo, onde o atual proprietário do lendário chatô chamado Braun-Yr-Aur, que dá título a duas músicas da banda e que foi o lugar onde vários clássicos foram escritos, reclama que os fãs não o deixam em paz.
Acho que dá pra usar o tradutor do Google pra ter uma ideia. Hilário.

Masters do Rush
Este ano o meu ritual Zep acabou gerando dividendos. Aproveitando minhas obrigatórias 3 horas de viagem entre Rio e Cachoeira Paulista, acabei montando uma discografia completa do Rush pra ouvir, mais pra curtição que outra coisa.
Coloquei o player em Random e foi muito interessante o resultado. Como as músicas tocam aleatoriamente, a gente pode comparar de modo fácil e rápido as diferentes mixagens e masterizações.
A primeira coisa que se nota é que, como era de se esperar, a qualidade técnica e o volume geral vieram subindo com os anos. Daí resolvi tentar eleger a melhor e a pior, e compartilho com os leitores.
O melhor conjunto som+mix+master é pra mim Counterparts. O melhor timbre geral sem os exageros modernos de compressão. Já o pior é de muito longe, Presto. Não sei como deixaram passar.
Alguém concorda?
Up
Sábado passado lá fui eu cumprir a tarefa de levar o herdeiro para assistir a mais recente animação da Pixar. Up se mostrou um filmaço. Isso vcs podem verificar em tudo que é crítica. Mas lá pelo meio do filme, eu lá empolgadão, e eis que reflito: A trilha é sensacional!!!
É claro que nenhum crítico fala da trilha, então cumpro esse papel e afirmo aos valentes leitores que a trilha é sensacional! Confesso que no calor do momento eu até pensei “Deve ser o Giacchino”, mas não acreditei em mim mesmo. No final, olhando os créditos enquanto todo mundo ia embora, lá estava ele, Michael Giacchino. Acertei na mosca.
Michael começou fazendo trilhas de games. Incrível, né, mas é verdade. No game do Jurassic Park ele já arrebentou, mas foi na série Medal of Honor em que ele começou a levantar sobrancelhas. Tanto que J J Abrahams, que não é bobo nem nada já pegou ele pra musicar nada menos que Lost.
E daí a Pixar tomou conta do cara. Com Os Incríveis, e agora Up. Francamente, ele é o cara. Mais uma vez. Confira. Vá ao cinema e assista Up uma vez. Depois, assista de novo com os olhos fechados. Este é Michael Giacchino!
P.S. - outro dia me lembrem de falar de Danny Elfman
Semana Zep
Desde que comecei a trabalhar em áudio eu pratico um ritual anual muito educativo que consiste em, durante uma semana, ouvir criteriosamente toda a discografia do Led Zeppelin. E todo ano eu aprendo mais alguma coisa. É incrível a capacidade de Jimmy Page e amigos de criar. Tudo bem que George Martin e Phil Ramone são dois gênios, um porque formatou o que se tornaria a moderna música pop, e o outro porque levou isso a um nível de sofisticação e qualidade incomparáveis. Agora, na produção de rock, Page foi aquele que sedimentou os alicerces.
Pois bem , semana que é a semana Zep deste ano. E desta vez convido os meus amigos a participarem. Todos os dias durante a próxima semana, sentem-se confortavelmente, coloquem os fones, Zep no Ipod, fechem os olhos… e viajem!
A música mais bonita de todos os tempos
Amigos, essa pode parecer uma tarefa difícil. Pra quem ouve música criteriosamente desde os 4 anos (já lá se vão 44), escolher uma dentre todas seria realmente problemático. Isso se não tivesse existido Thelonious Monk, e se ele não tivesse composto Round Midnight.
Graças a ele, escolher a canção mais bonita de todos os tempos fica fácil. Round Midnight é de longe a coisa mais maravilhosa que o mundo já ouviu. O tom é um festival de bemóis (Mi bemol menor) e a harmonia já gerou teses de mestrado. O site www.allmusic.com lista nada menos do que 2282 aparições em álbuns, fazendo desta a música mais gravada do jazz.
Eu particularmente possuo mais de 100 versões desta minha música preferida. Gostaria de ter mais. De todas as que eu ouvi, a melhor disparado é a de Miles Davis no álbum ‘Round About Midnight, com o quarteto maravilha: Coltrane, Red Garland, Paul Chambers, Philly Joe Jones.
O som é seco. Com surdina. Algumas notas semitonadas - dane-se. É o melhor que alguém já produziu em termos de música. Visceral, gutural, apaixonado, este álbum é um dos mais importantes de todos os tempos. E esta versão é a melhor dentre todas.
Curiosamente aparecendo em segundo lugar como a versão mais bacana em minha modesta opinião, temos a versão chorinho com que o grande Cristóvão Bastos nos brindou. Poderia ficar engraçado, mas ficou sensacional.
Mas correndo paralelo a todas as milhares de versões, só eu tenho o prazer de possuir uma versão exclusiva que meus dois fantásticos amigos Cris Delanno (minha cantora preferida que só perde pra Ella) e Fernando Moura (o pianista mais inteligente do mundo) fizeram.
Então, quem discordar e tiver outra sugestão que comente. De repente existe outra música mais bonita que esta. Mas eu duvido.
Estamos no Globo!
Nesta semana o blob Overdubbing, do Globo, traz uma entrevista com a gente a respeito de Home Studios. Foi um prazer essa entrevista porque o blog é muito bacana e muito informativo. Quem quiser conferir, clique aqui.
Como é bom quando isso acontece
Gravando violão no estúdio pra substituir o que foi captado via Avalon, Universal Audio or whatever. Direto via DI na control 24 e então, voilà: “Nossa, o som está melhor!!!”. Como é bom quando isso acontece.
Livro Imperdível
Estou lendo um livro sensacional e esclarecedor: “Appetite for Self-Destruction - The Spectacular Crash of the Recording Industry in the Digital Age” de Steve Knopper.
Recomendo fortemente. Infelizmente só disponível em inglês, por enquanto. A dica é comprar na sessão de usados na Amazon.
Analógico é que era bom? First Circle e o humming
Estava eu aqui re-masterizando para meu bel-prazer um dos meus álbuns preferidos, “First Circle” (1984), do Pat Metheny Group. Eu queria uma versão com menos dinâmica pra poder ouvir no carro sem perder metade das músicas pro trânsito. Então fui eu trabalhar na música que dá nome ao álbum, e pra mim a melhor música do PMG. Ao ouvir a intro, eis que está lá, em sua plenitude, ele: o humming de 60 Hz. Ora, meus amigos analófilos, temos um dos melhores álbuns de todos os tempos apresentando humming!!!!!!! Pra quem gosta de máquina analógica, bem feito. E olha que na intro só tem palmas, então o humming tem uma enorme chance de ter se originado no gravador (embora possa ter aparecido na mesa também). O fato é que com a faixa dinâmica da época, ninguém sequer ouviu o humming. Hoje, porém, qualquer um saca logo. Que pena. Mas a música continua genial, e a mix ( de Jan Erik Kongshaug, auxiliado pelo então assistente e depois super engenheiro Rob Eaton) é primorosa. Um fato a considerar é que as gravações da ECM da época eram feitas em dois dias e mixadas em um, mas pra mim o humming está lá porque com a faixa dinâmica da época simplesmente não dava pra ouvir. Pra quem quiser conferir( dei uma filtrada pra deixar o humming mais evidente) ouça http://www.4shared.com/file/111219165/83114176/First_Circle_Humming.html
Eu Falei com o Phil Ramone
Em pleno congresso da AES, eu estava de “jornalista” para a M&T, acompanhando uma palestra todo compenetrado, quando a Editora-Chefe, Ligia Diniz, me puxa pelo braço e diz pra eu vir correndo, pois havíamos conseguido uma exclusiva com ninguém menos que Phil Ramone. Sim, amigos, nada menos que ele. The Legend, considerado por muitos (e por mim) como um dos maiores produtores de todos os tempos. E eu ali, sem nem cinco minutos pra fazer um laboratório! O que perguntar pra uma lenda viva? Eu nunca me perdoaria se caísse nas armadilhas fáceis tipo “Como é gravar o Sinatra?”, até porque ele já conta no livro.
Então foi assim, entramos, nos cumprimentamos e aí era hora de eu falar alguma coisa. E agora? Vivia a emoção do momento ou me tornava o jornalista profissional que eu não sou? Antes de mais nada, eu só pensava que esse cara foi um dos, quem sabe, cinco caras mais imoortantes para estabelecer as fundações do que hoje consideramos como Produção de Álbuns. Imagina vc encontrar um dos cinco caras que criou sua profissão?
Tentando ganhar algum tempo, mandei a pergunta de segurança: “Como tudo começou?”. Pronto, tinha agora uns sete minutos pra me acalmar e pensar em algo menos óbvio. Quando chegou a minha vez de novo eu deixei sair algo que já havia me ocorrido quando li o livro: “Eu me pergunto se houve esse dia em que vc disse a si mesmo: deixa eu lembrar bem disso o que estou fazendo pois algum dia isso será história”. Ele curtiu, e daí pra frente foi beleza.
Taí algo pra contar pro blog, e pros netos. O texto da entrevista vc vai poder ler na próxima edição da M&T.
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