Archive for janeiro, 2008
Mandadas Mono ou Estéreo?
Um leitor me pergunta se é melhor usar os sends (mandadas) em mono ou estéreo. Bom, eu venho de uma época em que não havia fartura de recursos. Reverbs no estúdio a gente dava graças a Deus se tivesse dois! Então, como velhos hábitos são difíceis de mudar, acabei me acostumando a sempre otimizar ao máximo meu consumo de recursos, quer seja de DSP, de CPU e até mesmo de espaço em disco. Não chego ao ponto de prejudicar minha mix em nome desse hábito, mas certamente eu não desperdiço recursos de jeito nenhum.
Por exemplo, costumo usar somente 16 buses nas mixes, desligando os outros. Isso economiza quase nada, mas economiza e descongestiona visualmente. Não preciso encher a tela de buses toda vez que vou escolher uma mandada.
No caso dos reverbs, comparei bastante e vi que praticamente não há diferença se usarmos a entrada em mono, a não ser quando a mix tem pouquíssimos instrumentos, tipo voz e violão. Assim, eu uso para o reverb uma Aux Input mono, e escolho como tipo do reverb o que tem entrada mono e saída estéreo (esta sim faz diferença). Aí então todas as mandadas para este reverb usarão um bus mono. No meu caso, sempre o Bus 15 para o reverb curto e o Bus 16 para o reverb longo. Se forem necessários mais reverbs vou usando o Bus 14, depois o 13 etc. Isto é mais uma esquisitice saudável, pois uso os Buses a partir do 1 para sub grupos de instrumentos. Desta forma os buses do topo da lista são subgrupos e do fundo são efeitos.
Uma das nossas piadas internas no estúdio é afirmar que o som do bus 11 é o melhor para usar com o Auto tune. Tem gente que acredita.
É preciso ter cuidado porém com alguns reverbs que só existem na versão estéreo/estéreo, como o Sony Oxford e o CSR.
O Veneno que Te Mata é o Mesmo que Te Cura
No meio do pânico que tomou conta da Indústria por causa da Internet e downloads e etc aparecem histórias muito interessantes e promissoras. Vejamos o caso do fenômeno Colbie Caillat. A moça começou despretensiosamente com um site no MySpace. Colocou umas musiquinhas lá e nos primeiros meses ficou no ostracismo, escondida no meio do mundo de novos artistas. Até que ela postou a música “Bubbly”, que através do boca-a-boca foi alcançando alguns milhares de hits por dia. Quando ela já tinha pra mais de 6000 amigos, foi eleita pela Rolling Stone uma das melhores cantoras pop do MySpace. Foi a número um dentre os independentes por quatro meses consecutivos e sua música já tinha superado os 14 milhões de plays. Daí os “gênios” das majors finalmente acordaram e começaram a cortejá-la, até que ela finalmente assinou com a Universal Republic. Nesta altura ela já contava 100.000 amigos. Seu álbum de lançamento, Coco, atingiu o 5 lugar na Billboard top 200 e ainda continua no listão dos 100 mais.

Isso tudo mostra que se a gente tiver coragem e disposição para usar as ferramentas que aparecem, a tecnologia que tanto pode prejudicar acaba ajudando artistas de qualidade a conquistarem seu espaço.

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