Há luz no fim
De vez em quando aparece uma banda ou um músico que faz a diferença. Neste mar de mesmice que estamos vivendo, onde o mash up está mais dentro da cabeça dos artistas do que fora, aparecem uns caras que des-chutam o balde.
Por que não ser virtuosístico? Por que não usar todos os recursos que a harmonia propricia? E o mais importante, por que não se divertir fazendo isso?
É isso o que Dirty Loops faz. E faz tão bem que já tem legiões de fãs e só colocaram 4 músicas no youtube. Os caras são impressionantes!
Confira em http://www.youtube.com/watch?v=Ko0kdCf0zTE
Beatrix lança o tão esperado álbum novo
Para conferir, www.beatrix.com.br
Ir. Kelly Patricia - Busca de Deus ganha o Troféu Louvemos
Foi com muita alegria que recebi a notícia de que a Ir. Kelly Patricia recebeu o Troféu Louvemos o Senhor de Música Católica nas categorias de Melhor Cantora do Ano (e de fato ela é uma cantora espetacular) e de Melhor Gravação do Ano, com “Busca de Deus”. Este segundo prêmio é técnico, ou seja, vai para o CD que mostrou a melhor qualidade de gravação, mixagem e masterização. E para mim foi uma dupla honra ter mixado e masterizado este trabalho, que realmente revolucionou a carreira da irmã, com a coragem e a ousadia de se colocar em um estilo novo e com um repertório de altíssima qualidade. Parabenizo todos os demais envolvidos no trabalho, e me congratulo com eles.
Estou neste momento mixando o DVD deste CD, e espero que consigamos neste novo produto apresentar um resultado ao público da mais alta qualidade.
Guilherme Reis
O que dizer quando se perde um amigo?
A comunidade do audio perdeu ontem o seu maior profissional de todos os tempos. Guilherme era um filosofo. O rei do bom senso, e um exemplo para todos nos.
Foi ele quem me colocou no mundo do audio, quem me ensinou o que fazer e o que nao fazer. Era um cara que amava a vida, amava as pessoas e amava a musica. Uma sensibilidade unica, um ouvido privilegiado, e um bom senso incomparavel.
Para mim ele foi muitas vezes um pai, muitas um irmao e outras um filho. Certa vez eu deixei o estudio onde trabalhava e fui conversar com ele. Guilherme pegou uma folha de papel em branco, me deu e disse: escreva ai quanto voce quer ganhar, pois precisamos de voce aqui. Guilherme era assim. Um apaixonado por tudo.
Depois da partida do mestre Solon, agora, para aumentar a nossa dor, nos deixa o Gui. O unico consolo eh saber que la no Ceu o som esta bem melhor. O Solon foi pra cuidar da acustica e agora o Gui vai pra se encarregar das mixes. Sao Pedro nunca ouviu nada parecido.
Meu amigo Guilherme Reis, voce estara sempre em nossos coracoes. Fica aqui o obrigado que eu nunca tive chance de te dizer.
Como um tabuleiro de damas detona o áudio de “Alta Definição”
Esta não é a primeira vez em que eu venho discutir a questão do Áudio de Alta Definição (High Definition Audio). É realmente muito difícil convencer as pessoas de que o aumento da taxa de amostragem acima de 48kHz não traz nenhum benefício. Na verdade, existem três fatores que influenciam a tendência das pessoas em geral a acreditar que vale a pena se usar taxas tipo 88.2 ou 96 kHz.
(1) Bom senso - é óbvio que aparentemente usar uma taxa maior significa maior precisão. Pelo menos isso faz sentido. Só que a questão não deve ser analisada apenas na base da lógica. Temos que investigar as bases matemáticas e físicas para entender o processo e verificar se este aumento na precisão se reflete em maior qualidade de percepção humana.
(2) Pressão dos Fabricantes: vamos nos lembrar que os fabricantes precisam vender produtos, e assim eles usam o seu bom senso para he vender algo que não vai te trazer benefício nenhum. Neste ponto a mera lógica trabalha contra nós e a favor deste lado da indústria;
(3) Oportunismo comercial: a partir dos ítens acima, as pessoas que lucram com a distribuição de música viram um filão ótimo de se explorar, e tenho notado uma proliferação de sites de HD Audio. E na verdade está havendo via mercado uma enorme pressão para se empurrar na nossa garganta abaixo o conceito de que audio em 88.2 e 96kHz “soa melhor”.
Outro dia recebi um email de um estúdio de masterização anunciado que a partir de agora estaria oferecendo como um “plus” a entrega do áudio ao cliente em 96kHz. Ok, isso tem um apelo comercial forte, mas na verdade o que se esqueceu de dizer é que se o cliente chegou com áudio capturado em 44.1kHz reconverter só vai gerar perda de qualidade. Imagino o cliente menos avisado chegando com um cd 44.1/16 e saindo com ele em 96/24 e achando que com isso a qualidade aumentou!!!!
Pois bem, amigos, estive estudando um meio de demonstrar usando apenas o bom senso, o que o teorema de Shannon-Nyquist prova matematicamente. Vejamos a seguinte analogia:
Imagine um tabuleiro de damas/xadrez. Ele tem 64 quadrados. Imagine agora que vc tem um sensor muito sensível acoplado a cada “casa” do tabuleiro, dizendo se ele está ocupado ou vazio. Pois bem. Coloque uma pedra de dama em cada casa do tabuleiro. Agora os sensores indicarão que todas as 64 casas estão ocupadas.
Experimente agora colocar três grãos de feijão em cada tabuleiro, em vez das pedras de damas. O que os sensores indicarão? Apenas 64 casas ocupadas, porque há um limite superior no número de casas existentes. Se vc colocar agora centenas de grãos de areia em cada casa, os sensores só indicarão 64 casas ocupadas, e não mais do que isso.
Os nossos ouvidos se comportam da mesma forma. Temos uma limitação natural para os extremos das frequências que conseguimos ouvir. E a teoria prova que se obedecermos o teorema de Nyquist, amostrando acima do dobro deste limite teremos A REPRESENTAÇÃO PERFEITA de todas as frequências que foram amostradas. Ou seja, amostrar com frequências superiores a, digamos, 48kHz é como colocar duas pedras de dama em cada casa. Vc gastou o dobro de pedras, mas a informação armazenada foi exatamente a mesma, porque só se dispõe de um número limitado de sensores.
Quando se admite que existe uma frequência máxima para nossa capaciade de ouvir, e que esta está por volta de 20kHz, amostrar acima de 44.1 ou 48kHz é simplesmente desperdício.
Eu sei que é dificil ir contra o bom senso, mas esta é a verdade. E para quem a esta altura está dizendo que a audição humana vai além de 20kHz, poderíamos discutir isso sim, mas teríamos que discutir também se as caixas são capazes de responder a esta região sem distorções apreciáveis.
Apenas para reforçar, realmente amostrar em 88.2 e 96kHz confere maior precisão na representação das componentes de frequência da onda analógica original. Porém, esta maior precisão apenas permite que se codifiquem os harmônicos acima de 22/24kHz, que na verdade nós não ouvimos de jeito nenhum.
Para qualquer um que afirme conseguir ouvir a diferença entre um áudio tocado em 44.1kHz e o mesmo tocado em 88.skHz, das duas uma: ou o método de comparação está errado ou o método de conversão foi ineficiente.
Indicados ao Grammy de Melhor Engenharia
91. Best Engineered Album, Non-Classical
An Engineer’s Award.
(Nome do Artista entre parênteses)
Vou ouvir e comentar. Façam suas apostas!!
Battle Studies
Michael H. Brauer, Joe Ferla, Chad Franscoviak & Manny Marroquin, engineers
(John Mayer)
[Columbia Records]
Dirty Side Down
John Keane, engineer (Widespread Panic)
[ATO Records]
Emotion & Commotion
Steve Lipson, engineer (Jeff Beck)
[Rhino/Atco]
God Willin’ & The Creek Don’t Rise
Ryan Freeland, engineer (Ray LaMontagne And The Pariah Dogs)
[RCA Records]
Pink Elephant
Seth Presant & Leon F. Sylvers III, engineers (N’dambi)
[Stax Records]
Fabio Henriques Collection Plug-In

Baseado em minhas observações quanto aos parâmetros mais importantes em uma mixagem, o meu grande amigo Felipe Gama, engenheiro da Weivis, desenvolveu o plugin personalizado Fabio Henriques Collection. Nele o usuário tem o poder de controlar aquelas variáveis que realmente influem numa mixagem. Convido todos a conhecerem.
Valeu, Felipe!!!
Show Imperdível
Fernando Moura em versão ao vivo do seu lançamento Tudo Piano.

Show de lançamento Tudo Piano
Reverbs e Ambientes
O leitor Marquinho, do estúdio Fermata, me manda o seguinte comentário:
O assunto é reverb de bateria.
Eu tenho aberto um canal auxiliar, e abro um único plugin de reverb e endereço na dose ideal para cada peça… é o que estou fazendo.
Mas se o mic de sala é justamtente para captar o reverb da sala, eu posso colocar o reverb apenas nesse mic (caso o reverb natural da sala não me agrade), ou eu adiciono mesmo os reverbs em cada peça que eu quero?
Esses dias eu pus reverb nos mics de over e já foi o suficiente pra “colocar abetria numa sala” bem legal. O que vc acha?
Muito bom o assunto.
Primeiro, é preciso esclarecer uma coisa. Como eu falo nos Guias, os microfones de ambiente só fazem sentido se a sala de gravação tem tamanho suficiente para que exista um campo livre, ou campo distante. Ou seja, para sala menores do que, digamos, 40m2, os microfones não estão captando som ambiente, mas som direto da bateria, já que este é muito mais alto que qualquer ambiência. Lembremos que mics de ambiente devem captar a resposta da sala à bateria e não o som direto altíssimo e o reverb natural baixíssimo. Assim, em salas pequenas os microfones de ambiente são na verdade “overs de luxo”.
A princípio é possível se obter bons resultados mandando os overs para um reverb. Muitas vezes eu mando não só eles, mas a bateria toda para uma unidade de reverb com um algoritmo tipo “sala”. O que não se pode é confundir as coisas. Se a gente tem um par de microfones captando “ambiente”, e precisamos mandá-los a um reverb para fazer justamente um “ambiente”, então não precisamos dos microfones, é melhor mandar ou a bateria toda ou partes dela.
Tem outra coisa importante. Como falo bastante no Guia 2, o som de bateria gravado que culturalmente acabamos obtendo hoje em dia não tem nada a ver com o som natural do instrumento. Assim, faz sentido se usar um reverb um pouco mais longo na caixa e tons e até não usar nenhum no bumbo. O resultado não é “verdadeiro”, mas acaba soando culturalmente “natural”.
No final das contas o que vale é o resultado. Se, qualquer que tenha sido o processo, seu ouvido ficou feliz, isso é o que importa. Na verdade o que acabamos buscando é sempre o jeito mais simples e rápido de deixar nossos ouvidos felizes.
Class A e Direct Coupled Amps
De vez em quando as pessoas se impressionam com algumas expressões, e os fabricantes adoram manter ou simplesmente ignorar o equívoco, fingindo que todo mundo sabe o significado real do termo.
Por exemplo, vejamos um amplificador “Classe A”. Quando se diz que um circuito amplificador opera em “classe A”, se quer dizer apenas que o elemento amplificador atua sobre todo o ciclo positivo e negativo do sinal de áudio, o que é praticamente universal no caso de pequenos sinais, tais como nos pré-amplificadores. Nos estágios de potência principalmente, pode-se usar um elemento amplificador (transistor, válvula, etc) para atuar na metade positiva e outro para atuar na metade negativa (o chamado circuito push-pull - empurra-puxa), e é dito que o amplificador opera em “classe B”. Isso permite melhor eficiência no consumo, embora abra uma possibilidade para distorção, pois o ponto onde o “push” deixa de atuar deve coincidir exatamente com o ponto onde o “pull” começa.
Assim, o classe B não é “pior” que o “A”. É só diferente.
Já o acoplamento direto entre estágios de um amplificador (direct coupling) significa o seguinte. Quando um amplificador é projetado, geralmente são usados mais de um estágio de amplificação. Assim o primeiro estágio atua e passa o sinal para o seguinte. O projeto é mais fácil se entre esses dois estágios existir um elemento reativo - mais comum, um capacitor em série. Assim, as correntes DC de polarização dos dois estágios ficam isoladas e mais fáceis de projetar e calcular. O acoplamento direto entre os estágios não usa nenhum elemento reativo entre eles. O projeto é bem mais complicado, mas em compensação a resposta é bem mais plana, embora mais sujeita a desvios (drift) dos componentes ao longo do uso.
Assim, acomplamento direto geralmente significa projeto mais bem elaborado (porém um tanto mais melindroso, ainda mais com nossa qualidade de AC), enquanto Classe A em prés é quase uma obrigação. Por isso, na visão dos caras da indústria, por que não deixar todo mundo pensando que meu pré “class A” é melhor que os outros?
Para mais detalhes, http://www.howstuffworks.com/framed.htm?parent=electric-guitar.htm&url=http://www.duncanamps.com/technical/ampclasses.html
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