Por quê gravar em 192kHz é bobagem

Quem me conhece já deve estar cansado de saber o que penso sobre o assunto. Pra galera que acha que isso é papo de um simples engenheiro de mixagem brasileiro , transcrevo abaixo o que se lê no paper Sampling Theory For Digital Audio, de Dan Lavry, um engenheiro respeitadíssimo por toda a comunidade, dono da Lavry Engineering.

“Existe um inescapável compromisso entre, de um lado, amostragem mais rápida, e do outro, perda de acurácia, aumento no tamanho dos dados e necessidade adicional de processamento.

Projetistas de conversores AD não conseguem gerar 20 bits em velocidades na casa dos MHz, mas frequentemente usam um circuito que fornece alguns bits nestas velocidade como um passo na direção de se obter muitos bits em baixas velocidades.

O compromisso entre velocidade e acurácia é uma realidade permanente na engenharia e na ciência.

Amostrar (samplear) sinais de áudio em 192kHz é cerca de 3 vezes mais rápido que a taxa ótima necessária. Isto compromete a acurácia , o que acaba gerando distorção do áudio.

Se por um lado não há vantagens em operar em velocidades excessivas, existem ainda desvantagens adicionais:

1) O aumento da velocidade implica em aumento da quantidade de dados (afetando o armazenamento e transmissão)

2) Operar em 192kHz provoca uma necessidade de aumento significativo no poder de processamento, resultando em equipamentos muito caros e/ou comprometimento adicional da qualidade do áudio.”

A sugestão de Dan Lavry, a qual apoio fortemente, seria o uso de uma taxa na casa dos 60kHz, que nos livraria dos problemas dos filtros sem comprometer a qualidade do áudio e sem execesso de informação pra armazenar ou transmitir.

quarta-feira, fevereiro 15th, 2012 Artigos Nenhum Comentário

Comprimir é bem mais fácil se a gente se liberta

Tenho visto ultimamente algumas discussões bem intensas sobre o uso de recursos  avançados para se controlar e/ou extrair mais dinâmica (aka pressão) de canais na mixagem. É compressão paralela pra lá, compressão em série pra cá, um festival de métodos nada simples e que exigem vários cuidados na hora de se empregar.

Na maioria das vezes, porém, este tipo de soluções mais complicadas só se justificam se a gente se coloca um empecilho hoje em dia totalmente dispensável. O tipo de áudio que se beneficia destas compressões mais complicadas geralmente é aquele que tem excesso de variação entre seus momentos mais baixos e mais altos de volume. Quando o cara olha para estes áudios e conclui que precisará de compressão elaborada está na verdade se colocando uma dificuldadde que não existe. Talvez seja algo que umas pessoas herdaram do tempo da gravação em fita. Nesta época, o áudio gravado era soberano. Pensar em alterar o material gravado antes de processar era uma blasfêmia e um risco. Mas hoje, a gente tem que se libertar desse pensamento. Quem disse que eu não posso alterar os ganhos dos vários trechos de algum canal para que a dinâmica varie menos?

No Guia de Mixagem 1 eu explico em detalhes como fazer o processo. Antes de começar a processar a dinâmica (comprimir) algum canal, é só usa alguma função do software de gravação do tipo “change gain” e dar alguns dBs de ganho nos trechos mais baixos e  atenuação nos trechos mais altos do áudio. Deixando o volume do track mais uniforme, a compressão na enorme maioria dos casos fica bem mais simples, bastando um compressor bem ajustado. Daí estes recursos mais complicados, a quem muitos atribuem o pseudo poder de conferir mais “energia”, “vitalidade” e “pressão”, acabam se tornando totalmente dispensáveis.

Optar por uma solução mais simples que dê o mesmo resultado tem a desvantagem de não render suspiros emocionados de um cliente mais entusiasta de técnicas românticas de estúdio, mas a gente chega mais cedo em casa, ou mixa em muito menos tempo, com muito menos consumo de neurônios.

segunda-feira, fevereiro 13th, 2012 Artigos Nenhum Comentário

Há luz no fim

De vez em quando aparece uma banda ou um músico que faz a diferença. Neste mar de mesmice que estamos vivendo, onde o mash up está mais dentro da cabeça dos artistas do que fora, aparecem uns caras que des-chutam o balde.

Por que não ser virtuosístico? Por que não usar todos os recursos que a harmonia propricia? E o mais importante, por que não se divertir fazendo isso?

É isso o que Dirty Loops faz. E faz tão bem que já tem legiões de fãs e só colocaram 4 músicas no youtube. Os caras são impressionantes!

Confira em http://www.youtube.com/watch?v=Ko0kdCf0zTE

quarta-feira, novembro 30th, 2011 Artigos Nenhum Comentário

Beatrix lança o tão esperado álbum novo

Para conferir, www.beatrix.com.br

quarta-feira, novembro 30th, 2011 Artigos Nenhum Comentário

Ir. Kelly Patricia - Busca de Deus ganha o Troféu Louvemos

Foi com muita alegria que recebi a notícia de que a Ir. Kelly Patricia recebeu o Troféu Louvemos o Senhor de Música Católica nas categorias de Melhor Cantora do Ano (e de fato ela é uma cantora espetacular) e de Melhor Gravação do Ano, com “Busca de Deus”. Este segundo prêmio é técnico, ou seja, vai para o CD que mostrou a melhor qualidade de gravação, mixagem e masterização. E para mim foi uma dupla honra ter mixado e masterizado este trabalho, que realmente revolucionou a carreira da irmã, com a coragem e a ousadia de se colocar em um estilo novo e com um repertório de altíssima qualidade. Parabenizo todos os demais envolvidos no trabalho, e me congratulo com eles.

Estou neste momento mixando o DVD deste CD, e espero que consigamos neste novo produto apresentar um resultado ao público da mais alta qualidade.

http://www.kellypatricia.org.br/

terça-feira, julho 12th, 2011 Artigos Nenhum Comentário

Guilherme Reis

O que dizer quando se perde um amigo?

A comunidade do audio perdeu ontem o seu maior profissional de todos os tempos. Guilherme era um filosofo. O rei do bom senso, e um exemplo para todos nos.

Foi ele quem me colocou no mundo do audio, quem me ensinou o que fazer e o que nao fazer. Era um cara que amava a vida, amava as pessoas e amava a musica. Uma sensibilidade unica, um ouvido privilegiado, e um bom senso incomparavel.

Para mim ele foi muitas vezes um pai, muitas um irmao e outras um filho. Certa vez eu deixei o estudio onde trabalhava e fui conversar com ele. Guilherme pegou uma folha de papel em branco, me deu e disse: escreva ai quanto voce quer ganhar, pois precisamos de voce aqui. Guilherme era assim. Um apaixonado por tudo.

Depois da partida do mestre Solon, agora, para aumentar a nossa dor, nos deixa o Gui. O unico consolo eh saber que la no Ceu o som esta bem melhor. O Solon foi pra cuidar da acustica e agora o Gui vai pra se encarregar das mixes. Sao Pedro nunca ouviu nada parecido.

Meu amigo Guilherme Reis, voce estara sempre em nossos coracoes. Fica aqui o obrigado que eu nunca tive chance de te dizer.

quinta-feira, fevereiro 10th, 2011 Artigos 4 Comentários

Como um tabuleiro de damas detona o áudio de “Alta Definição”

Esta não é a primeira vez em que eu venho discutir a questão do Áudio de Alta Definição (High Definition Audio). É realmente muito difícil convencer as pessoas de que o aumento da taxa de amostragem acima de 48kHz não traz nenhum benefício. Na verdade, existem três fatores que influenciam a tendência das pessoas em  geral a acreditar que vale a pena se usar taxas tipo 88.2 ou 96 kHz.

(1) Bom senso - é óbvio que aparentemente usar uma taxa maior significa maior precisão. Pelo menos isso faz sentido. Só que a questão não deve ser analisada apenas na base da lógica. Temos que investigar as bases matemáticas e físicas para entender o processo e verificar se este aumento na precisão se reflete em maior qualidade de percepção humana.

(2) Pressão dos Fabricantes: vamos nos lembrar que os fabricantes precisam vender produtos, e assim eles usam o seu bom senso para he vender algo que não vai te trazer benefício nenhum. Neste ponto a mera lógica trabalha contra nós e a favor deste lado da indústria;

(3) Oportunismo comercial:  a partir dos ítens acima, as pessoas que lucram com a distribuição de música viram um filão ótimo de se explorar, e tenho notado uma proliferação de sites de HD Audio. E na verdade está havendo via mercado uma enorme pressão para se empurrar na nossa garganta abaixo o conceito de que audio em 88.2 e 96kHz “soa melhor”.

Outro dia recebi um email de um estúdio de masterização anunciado que a partir de agora estaria oferecendo como um “plus” a entrega do áudio ao cliente em 96kHz. Ok, isso tem um apelo comercial forte, mas na verdade o que se esqueceu de dizer é que se o cliente chegou com áudio capturado em 44.1kHz reconverter só vai gerar perda de qualidade. Imagino o cliente menos avisado chegando com um cd 44.1/16 e saindo com ele em 96/24 e achando que com isso a qualidade aumentou!!!!

Pois bem, amigos, estive estudando um meio de demonstrar usando apenas o bom senso, o que o teorema de Shannon-Nyquist prova matematicamente. Vejamos a seguinte analogia:

Imagine um tabuleiro de damas/xadrez. Ele tem 64 quadrados. Imagine agora que vc tem um sensor muito sensível acoplado a cada “casa” do tabuleiro, dizendo se ele está ocupado ou vazio. Pois bem. Coloque uma pedra de dama em cada casa do tabuleiro. Agora os sensores indicarão que todas as 64 casas estão ocupadas.

Experimente agora colocar três grãos de feijão em cada tabuleiro, em vez das pedras de damas. O que os sensores indicarão? Apenas 64 casas ocupadas, porque há um limite superior no número de casas existentes. Se vc colocar agora centenas de grãos de areia em cada casa, os sensores só indicarão 64 casas ocupadas, e não mais do que isso.

Os nossos ouvidos se comportam da mesma forma. Temos uma limitação natural para os extremos das frequências que conseguimos ouvir. E a teoria prova que se obedecermos o teorema de Nyquist, amostrando acima do dobro deste limite teremos A REPRESENTAÇÃO PERFEITA de todas as frequências que foram amostradas. Ou seja, amostrar com frequências superiores a, digamos, 48kHz é como colocar duas pedras de dama em cada casa. Vc gastou o dobro de pedras, mas a informação armazenada foi exatamente a mesma, porque só se dispõe de um número limitado de sensores.

Quando se admite que existe uma frequência máxima para nossa capaciade de ouvir, e que esta está por volta de 20kHz, amostrar acima de 44.1 ou 48kHz é simplesmente desperdício.

Eu sei que é dificil ir contra o bom senso, mas esta é a verdade. E para quem a esta altura está dizendo que a audição humana vai além de 20kHz, poderíamos discutir isso sim, mas teríamos que discutir também se as caixas são capazes de responder a esta região sem distorções apreciáveis.

Apenas para reforçar, realmente amostrar em 88.2 e 96kHz confere maior precisão na representação das componentes de frequência da onda analógica original. Porém, esta maior precisão apenas permite que se codifiquem os harmônicos acima de 22/24kHz, que na verdade nós não ouvimos de jeito nenhum.

Para qualquer um que afirme conseguir ouvir a diferença entre um áudio tocado em 44.1kHz e o mesmo tocado em 88.skHz, das duas uma: ou o método de comparação está errado ou o método de conversão foi ineficiente.

sábado, janeiro 22nd, 2011 Artigos 11 Comentários

Indicados ao Grammy de Melhor Engenharia

91. Best Engineered Album, Non-Classical
An Engineer’s Award.

(Nome do Artista  entre parênteses)

Vou ouvir e comentar. Façam suas apostas!!

Battle Studies
Michael H. Brauer, Joe Ferla, Chad Franscoviak & Manny Marroquin, engineers
(John Mayer)
[Columbia Records]
Dirty Side Down
John Keane, engineer (Widespread Panic)
[ATO Records]
Emotion & Commotion
Steve Lipson, engineer (Jeff Beck)
[Rhino/Atco]
God Willin’ & The Creek Don’t Rise
Ryan Freeland, engineer (Ray LaMontagne And The Pariah Dogs)
[RCA Records]
Pink Elephant
Seth Presant & Leon F. Sylvers III, engineers (N’dambi)
[Stax Records]

domingo, dezembro 5th, 2010 Artigos Nenhum Comentário

Fabio Henriques Collection Plug-In

Weivis Fabio Henriques Collection

Baseado em minhas observações quanto aos parâmetros mais importantes em uma mixagem, o meu grande amigo Felipe Gama, engenheiro da Weivis, desenvolveu o plugin personalizado Fabio Henriques Collection. Nele o usuário tem o poder de controlar aquelas variáveis que realmente influem numa mixagem. Convido todos a conhecerem.

Valeu, Felipe!!!

sexta-feira, novembro 19th, 2010 Artigos 6 Comentários

Show Imperdível

Fernando Moura em versão ao vivo do seu lançamento Tudo Piano.

Show de lançamento Tudo Piano

Show de lançamento Tudo Piano

terça-feira, outubro 26th, 2010 Artigos 1 Comentário